Neste mês de outubro a IAEA publicou 2 documentos muito importantes para a Medicina Nuclear:

“TECDOC 1856 – Quality Control in the Production of Radiopharmaceuticals”

“SSG-46  Radiation Protection and  Safety in Medical Uses  of Ionizing Radiation”

Como outras publicações da Agência, estas não têm poder de lei, porem são fundamentadas nas diferentes realidades mundiais, representando fortes recomendações para governos e importantes referências para a rotina dos profissionais.

O TECDOC sobre controle de qualidade (CQ) de radiofármacos tem o objetivo de informar e estabelecer procedimentos adequados para fabricantes e usuários de diferentes níveis.  Os requisitos mínimos relativos a equipamentos, processos, controles e recursos para CQ são descritos.

O anexo II e III apresentam testes mínimos para radionuclídeos e radiofármacos. Ressaltando que, sendo responsabilidade do fabricante ou do Serviço, o CQ deve ser feito em cada lote produzido. O anexo IV apresenta o status das regulamentações existes atualmente em diversos países.

O Safety Guide por outro lado é mais abrangente, focando em guiar e em estabelecer recomendações para que os requisitos do International Basic Safety Standards (GSR Part 3), publicado em 2014, sejam aplicados ao uso médico das radiações ionizantes.

A publicação foi originada da unificação de outros 4 documentos (SRS-38,SRS- 39, SRS-40 e RS-G-1.5)  referentes a radiologia geral e intervencionista, medicina nuclear e radioterapia. Ela apresenta ainda anexos com recomendações sobre acidentes, gravidez e amamentação.

A definição de responsabilidades, recomendações de formação profissional e de certificação/acreditação de todos as categorias envolvidas é um ponto relevante do documento. O papel do físico médico e do radiofarmacêutico, quase inexistentes no Brasil, são elevados ao nível de outros profissionais como técnicos, médicos nucleares e Supervisor de Proteção Radiológica (SPR).

As funções do físico médico e do SPR estão claramente separadas. Entre outros atributos, o SPR atua em relação às exposições ocupacionais e do público, enquanto o físico médico em relação a exposições médicas. Algumas outras responsabilidades são resumidas na tabela abaixo:

Slide de aula da Prof. Dra. Jenia Vassilev, IAEA – Joint ICTP-IAEA School on Quality Assurance and Dose Management in Hybrid Imaging (SPECT/CT AND PET/CT) 17-18 de Setembro de 2018

O crescente envolvimento do paciente na tomada de decisões é traduzido na necessidade de que a instituição garanta a ciência prévia do paciente em relação aos riscos e benefícios envolvidos no procedimento. Por fim, mas não menos importante, a dosimetria dos pacientes tanto para procedimentos diagnósticos quanto para terapêuticos é um requisito.

 

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